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quarta-feira, 30 de março de 2011

Meu lado Maria

Não gosto de quem posa de inteligente, culto e letrado. Mesmo porque por mais inteligente, culto e letrado que você seja, cá pra nós, tenho certeza que vez ou outra passa os olhos na Contigo. Ou em qualquer site fofoqueiro. Ou na coluna social. Ou no Faustão. Ou no Big Brother. Além disso, não acho que assistir baboseiras seja atestado de inteligência e/ou esperteza. Eu, por exemplo, vejo o Big Brother pra rir. Leio livros que os mais intelectualizados (?) condenam para relaxar, me divertir, esquecer um pouco as asperezas da vida. A verdade é que tem muita gente fazendo pose por aí, mas lá no fundo adora ouvir uma música brega. Mas esse já é outro assunto. Hoje eu quero falar da Maria.
Sabe a Maria do Big Brother? A Maria, aquela que teve um rápido affair com o nada-bonito-Maurício. Maria, aquela que depois que o nada-bonito saiu da casa arrastou asa para o Wesley. Maria, que depois que o Maurício voltou pra casa se arrependeu. Maria, aquela que bebe e mostra a bunda na televisão. Maria, aquela que diz Maurício-gosto-de-você baixinho no ouvido. Maria, aquela que perde o foco, a noção, o norte, o jeito, o gesto. Maria, aquela que esquece a dignidade no fundo do copo. Maria, aquela que ataca o cara, chora pelo cara, quer de todo o jeito beijar o cara, é louca pelo cara, tarada, maníaca, doente. Pois bem, essa é Maria. Maria, que já foi uma das Felinas. Maria que, diz a lenda, já fez uns bicos na profissão mais antiga do mundo.
Não me importo com o passado da Maria. E eu digo: gosto da Maria, pois o que importa é o que a Maria representa, o que a Maria é, o que a Maria nos faz ver. Eu me enxergo na Maria. Eu enxergo muitas mulheres na Maria. E eu repito Maria-Maria-Maria. A Maria representa nossas lágrimas, nosso rímel borrado, nossos porres, nossas ligações na madrugada, nossos fiascos, nossas insanidades. A Maria representa aquela mulher que já perdeu a cabeça e o juízo por causa de um homem. A Maria é aquele comportamento que você teve sábado passado quando, bêbada e ofendida, mandou 34 mensagens para o celular do ex-namorado. A Maria sou eu há 5 anos atrás, que corria atrás de um cara que me fazia de gato e sapato.
Maria é aquela moça que insiste em manter uma relação com um cara que tem namorada. Maria é aquela que gosta, tem uma inocência no peito, uma ilusão na boca, uma incoerência no olhar. Maria é aquela que acredita em palavras, se apega e quer ir até o fim. Maria é aquela que acha que o passado dita a moda do presente. Maria é aquela que não pensa antes de falar - e age como dá na telha. Maria é impulsividade, calor, vontade. Maria é a falta de vergonha em se expor.
A Maria, minha amiga, é a inimiga íntima de toda mulher
Clarissa Corrêa 
-


Eu, Emilly, concordo plenamente em gênero, número e grau, achei perfeito esse texto sobre a Maria do BBB, serviu como inspiração para o Bial na hora da eliminação, o texto está na íntegra, depois vou procurar o texto na releitura do próprio Bial que é magnifíco também.Tal aponta claramente a questão do preconceito e rótulos estipulados por nós mesmo, quando na verdade cada um tem um pouco daquilo que é exposto evidentemente (essa é a única diferença). Cada um tem um pouco de Maria, cada um tem um ponto de loucura, de sentimento, de sensualidade, de perversidade, de puta, de piranha, como quiser dizer, seja em qualquer concepção mais eufemisada, mais culta do termo, sempre chega no mais (considerado) chulo, no mais feio, que é presente em todos nós. 
"Acho engraçado quem fala mal da Maria. Você, por acaso, nunca se humilhou por causa de um cara? Você, por acaso, nunca foi super sincera e disse tudo que seu coração achava que devia? Você, por acaso, não deixou as palavras se perderem entre os dentes, língua e saliva? Eu já. Por sinal, faço isso o tempo todo. Admiro Maria porque ela é sincera. Maria não tem vergonha de ser ela mesma, de se arrepender. Maria faz o que tem vontade e depois pensa no que fez. Maria é puro impulso, sinceridade solta. Maria é gente de verdade. E sem prazo de validade."
Maria é Emilly, é Paula, é Ana, é Michelle, é Vanessa, Paulo, João, Carla, Renato, Vitor, Carlos, André ... Maria sou eu e é você!



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

adverbial

"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."





Tati Bernardi 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

adverbial

"Mesmo quando chove ou o céu tem nuvens sabem sempre quando a lua é cheia. E quando mingua e some, sabem que se renova e cresce e torna a ser cheia outra vez e assim por todos os séculos e séculos porque é assim que é e sempre foi e será .."




do lindo-Caio ♥

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O segredo de Sophia


“Sophia fingiu a vida inteira mas nunca deixou de procurar a verdade. Sempre uma tosse de angústia na boca do peito. Sempre um motorzinho acelerado enjoado lá pro meio de algo que fica dentro. O olho ardia. A língua travava de vontade de mudar todo o discurso pronto e dizer apenas a verdade. Mas qual era a verdade? Então seguia fingindo”. Seus olhos fingiam choravam pra dentro, isso era o que dizia, como algo que atropela o coração e se via destroçado, era o que sentia. A final quem garante que também ela não fingia sentir o desamparo naquela verdade que ela via e sentia?
Quando que isso se tornou tão importante assim? Onde foi o erro? Sempre muito calculista e cheia de estratégias. Seus olhos estremeciam, pareciam ter vontade própria. E tinham.
Depois de um dia inteiro nos mesmos pensamentos, que se repetiam durante horas, na mesma velocidade que um ponteiro leva a cada segundo até chegar o percurso completo. Sophia fazia promessas ao vento, jurava, prometia e se importava com as coisas que fingia se importar. Fingia promessas, fingia juras. Não se importava e fingia mais uma vez não se importar. Fingia amor, fingia ausência, fingia gostar.
E ela não cansa - Ora Sophia, mas por que se faz tão assim? - Mas como eu queria ser assim, sempre tão forte como você. Determinada nos seus desejos. Sempre que deseja algo és tão firme, tão decidida e é tão louvável quando conquista o que quer. E sempre consegue. Por que se desfaz nas suas promessas?
Sophia parecia uma pedra - dura e rígida, - como uma pedra de gelo – fria e gelada. Aquela pedra que leva tanto tempo pra endurecer, ficar firme presa dentro de uma caixa pra de repente se desmanchar completamente fora dela.
Fingia sofrer muito por aquilo, mas não fingia a alegria que se instalava. Talvez nem a sua dor diante do que sabia. Mas ela acreditava no que foi lhe prometido um dia em palavras. Poderia nem ser verdade, mas ela acreditava. Ou fingia acreditar. Vai-se saber.
Até hoje eu não sei onde começa a verdade e mentira que Sophia contava. Ou conta. Mas ela parecia não ter vontade própria. E não tinha, embora ela nunca se esconda. Sempre dá a cara à tapa de alguma forma. Sempre rija.
Embora fingisse sempre, ela não negava mas escondia.Talvez a mentira que ela era, era verdade. “Ou: a mentira nela nunca fora fraude, mas essência. Seu segredo mais fundo e mais raso, daí quem sabe a surpresa branca de quando ouvira um quase-amigo dizer que não passava de uma personagem”.
Seus olhos estremunhavam, se repudiava por ter seu desejo mais uma vez abalado, mas não se negava ao seu real desejo atendido. Pensava nisso o tempo todo, não só naquela tarde inteira, mas nas tardes antecedentes ou noites que procedia. Fingia e se negava. Como sempre ela conseguia - fingir e negar, ela que era tão forte, mas seu coração parecia ter vontade própria. E tinha.



terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nem tudo que a gente conserva de puro, merece ser abandonado!

"A gente batalha tanto pra perder a inocência e finalmente enxergar as coisas com clareza, que nos permitimos endurecer durante o caminho para finalmente alcançarmos este estado. Nem tudo que a gente conserva de puro merece ser abandonado. Assim como os anos não anulam o que já foi vivido, a maturidade não anula o que já foi sonhado! "

Fernanda Gaona


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

adverbial

"Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de, que nos empurra para a frente."

Clarice Lispector



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Que seja!

"Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim:


Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada. Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de vocês;

Caio Fernando Abreu
E que seja doce, todos os dias.

domingo, 17 de outubro de 2010

O mar mais longe que eu vejo

Talvez, sim, talvez eu fosse mulher, porque pensava no príncipe, a minha mão direita era a minha mão e a minha mão esquerda era a mão do príncipe, e a minha mão direita e a minha mão esquerda juntas eram as nossas mãos. Apertava a mão do príncipe sem cavalo branco, sem castelo, sem espada, sem nada. O príncipe tinha uns olhos fundos, escuros, um pouco caídos nos cantos e caminhava devagar, afundando a areia com seus passos. O príncipe tinha essa coisa que eu esqueci como é o jeito e que se chama angústia. Eu chorava olhando para ele porque eu só o tinha e ele não falava nunca, nada, e só me tocava com a minha mão esquerda, e eu cantava para ele umas cantigas de ninar que eu tinha aprendido antes, muito antes, quando era menina, talvez tenha sido uma menina daquelas de tranças, saia plissê azul-marinho, meias soquete, laço no cabelo, talvez. Sabe, às vezes eu me lembro de coisas assim, de muitas coisas, como essa da menina  - como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou. Guardou tudo, até o príncipe que um dia não veio mais. Não, não foi um dia que ele não veio mais, foram muitos dias, em muitos dias ele não veio mais e passei a não acreditar nele mais. A água do mar salgava a minha boca, o sol queimava a minha pele, eu tinha a impressão de ser de couro, um couro ressecado, sujo, mal curtido. E havia essa coisa que também esqueci o jeito e que se chamava ódio ou amor. De vez em quando eu pensava - eu vou sentir essa coisa que se chama ódio. E sentia. Crescia uma coisa vermelha dentro de mim, os meus dentes rasgavam coisas. Devia ser bom, porque depois eu deitava na areia e ria, ria muito, era um riso que fazia doer a boca, os músculos todos, e fazia as minhas unhas enterrarem na areia, com força. Já pensei em sentir de novo essa coisa chamada amor, também. E, talvez pudesse sentir. Se eu deixasse. Mas eu não queria, acho que eu não queria. Deixei essa historia de querer pra lá, de querer pedir pra que alguém fique, sem que eu não tivesse tempo de me dizer qualquer coisa.  Sem que eu tivesse tempo de me dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo. Mas, deixei pra lá.



Adaptado por mim.
Fragmento do livro "O Inventário do Irremediável",
Caio F. Abreu

Hoje: ZzzZ..zZzz

"Sem pensar em mais nada, fecho os olhos para esquecer.  Dorme, menina, repito no escuro, o sono também salva. Ou adia”.
 Caio F. Abreu


sábado, 16 de outubro de 2010

Corujas

Tinham um olhar dentro, de quem olha fixo e sacode a cabeça, acenando como se numa penetração entrassem fundo demais, concordando, refletidas. Olhavam fixo, pupilas perdidas na extensão amarelada das órbitas, e concordavam mudas. A sabedoria humilhante de quem percebe coisas apenas suspeitas pelos outros. Jamais saberíamos das conclusões a que chegavam, mas oblíquos olhávamos em torno numa desconfiança que só findava com algum gesto ou palavra nem sempre oportunos. O fato é que tínhamos medo, ou quem sabe alguma espécie de respeito grande, de quem se vê menor frente a outros seres mais fortes e inexplicáveis. Medo por carência de outra palavra para melhor definir o sentimento escorregadio na gente, de leve escapando para um canto da consciência de onde, ressabiado, espreita-ria. E enveredávamos então pelo caminho do fácil, tentando suavizar o que não era suave. Recusando-lhes o mistério, recusávamos o nosso próprio medo e as encarávamos rotulando-as sem problema como "irracionais", relegando-as ao mundo bruto a que deviam forçosamente pertencer. O mundo de dentro do qual não podiam atrever-se a desafiar-nos com o conhecimento de algo ignorado por nós. Pois orgulhos, não admitiríamos que vissem ou sentissem além de seus limites. Condicionadas a seus corpos atarracados, de penas cinzentas e três garras quase ridículas na agressividade forçada ― condicionadas à sua precariedade, elas não poderiam ter mais do que lhe seria permitido por nós, humanos.
 
Fragmento do livro "Inventário do irremediável.",
Caio Fernando Abreu ♥



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

adverbial

…o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor.

ps: achei bunitinho *-*
ps 2: às vezes eu sou tão gay , rs

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sexualmente Transmissivel

Seria a transa perfeita.

…e quando eu entrasse no quarto, nós estaríamos entrando no quarto… Ou melhor, quando nós virássemos um só, seriamos só um a entrar no quarto. E os seus lábios teriam o gosto que a natureza lhe prometera: o de me enfeitiçar. E nós seriamos criminosos das leis do karma, e Deus fugiria aos nossos insultos físicos futuros pretendidos - no quarto -, e seriamos pretendentes um do outro, para que no fim, realizássemos o mais macabro dos casamentos, e as nossas carnes apodreceriam juntas, pois envelheceríamos juntos, e levaríamos esse amor maior venenoso para o resto dos nossos dias misteriosamente apaixonados. E toda a culpa valeria a pena. Valeria muito a pena para mim - que a violentaria a cada centímetro oculto de seu corpo, com olhares, toques e pensamentos sujos -, valeria todas as penas do Estado. Valeria a pena para mim, quando eu a puxasse pelos cabelos, com força, raiva e tesão. Valeria a pena quando eu arrancasse a sua calcinha, por debaixo do seu vestido - enquanto você geme e lacrimeja de vontade de foder comigo, se sujando na lama que se tornaria aquela cama do quarto, e caindo em seu próprio abismo de pecado particular.
Valeria a pena para mim, quando minha mão caísse por sobre sua barriga, em seus braços, em suas costas… e juntamente a minha mão com a minha língua, cairíamos em seu pescoço, aonde minha língua tomaria outras rotas, sempre destinadas mais ao sul desse céu que se tornaria a sua pele. E a sua pele, para mim, seria um verdadeiro céu. Seria um céu por me dar a falsa impressão de que, ter asas para voar pelos céus noturnos, jamais poderia ser melhor do que aquilo, que se daria naquele exato momento. O seu corpo seria o céu da noite, repleto de fuga, sexo, mistério e medo.
E haveria uma dor pulsante e deliciosa contida na ansiedade da sua carne, ao você sentir minha língua e meus dedos, te fazendo sentir as delícias da morte, te fazendo nascer para dentro, se reencontrando a si mesma em uma outra vibe mais total.
Valeria a pena para você, que ao sentir alguma coisa vindo de dentro, a expulsaria de dentro de si, para fora do corpo, com um grito com sabor de paraíso, com sonho de paraíso, com jeito de. E, nunca um turbilhão de pecados fomentaria ponte mais sólida e atalho mais inusitado para o mundo do paraíso… Valeria a pena para ela, pois ela saberia que valeu a pena, assim que tivesse atingido um orgasmo - ansiando pelo próximo orgasmo.
E aí valeria a pena para ela, quando ele a fodesse por trás, respirando em sua orelha, sussurrando coisas indecentes e lindas, que quando codificadas e traduzidas para a língua dos anjos, diriam coisas como “eu nunca amei tanto alguém assim, como eu amo você.”, ou “você foi feita pra mim, não me deixa” e “eu quero envelhecer ao seu lado”.
E valeria a pena para os dois, pois os dois se amariam e se completariam… em outras palavras: trepariam, se devorariam, se matariam e depois renasceriam perdidos um no outro. E seria lindo, o descanso dos dois - nós dois e a cidade: eu e você.

E valeira a pena, sobretudo, por nós dois sermos complacentes com o culto ao corpo que nós pregaríamos, quando nos víssemos nus através dos espelhos intrusos.
Valeria a pena, pois nós saberíamos de todas as coisas passíveis de se um mortal saber. Saberíamos dos anos, saberíamos dos meses, dos dias e até das horas. Nós saberíamos das horas, pois seríamos amantes proibidos. Amantes proibidos nunca se esquecem das horas.
Valeria a pena para mim, que te beijaria na testa e me perderia em seus olhos grandes de humanidade e de céu e de inferno e de mim inteiro perdido neles.
Valeria a pena para você, que sentiria o meu beijo na testa, e detestaria a hora de nossa despedida, por saber que os meus olhos não mais te acompanhariam para o resto de todas as horas do resto de toda a sua vida.
Valeria a pena para o mundo inteiro. Valeria mais do que tudo que há de valor.
E nos seria uma dádiva sexualmente transmitida.

E quando o quarto parecesse pequeno demais para nós dois, nós iríamos embora, cada um para o seu lado. E você sairia da minha vista e isso me daria um certo medo do que ainda estaria por vir. E aí eu me apegaria a vestígios, lembranças ou cheiros teus, na minha pele. Qualquer marca valeria a pena…
E eu sentiria teu cheiro na minha blusa, e te lembraria de joelhos pra mim, me fazendo chover em você, ou então afundada no meu abraço, sorrindo e falando baixinho, e eu com os dedos em seu cabelo, cada vez mais perto dos lábios que tanto me chamam para alguma ação ou interação maior exterior/interior. E aí eu lembraria uma canção que você gosta, e cantaria sozinho e distraído, na cama do meu quarto, celebrando você…

Seria a tarde perfeita.



Diretamente do Blog do André

ps: ele é foda, adorei o texto, adoro como ele escreve. Fica aqui a minha singela homenagem :)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

adverbial ...

"Aí ele chega, tão lindo. E vai embora, tão feio. E liga, tão bobo. E some, tão especial. E eu morro, ainda que não ligue a mínima. E eu não tô nem aí, ainda que pense o tempo todo em não estar nem aí. E quanto mais eu abro tudo, mais me fecho. E sigo intacta, ainda que toda esburacada. E tenho a plena certeza de que cometo o maior erro do ano, ainda que eu não duvide de que todos os acertos são mesmo feitos assim: quando a loucura nos vence de alguma forma."

Tati Bernardi

domingo, 10 de outubro de 2010

Convidando uma mulher pra sair

Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de estresse que isso desencadeia em nossas vidas. O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam o que se passa nos bastidores. Você, mulher, está flertando um Zé Ruela qualquer. Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor, um jantar. Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo ‘Vamos jantar amanhã?’. Você sorri e responde, como se fosse a coisa mais simples do mundo: ‘Claro, vamos sim’. Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisséia. Evidentemente, você também para de comer, afinal, quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Daqui pra frente, você começa a fazer a dieta do queijo: fica sem comer nada o dia inteiro e quando sente que vai desmaiar come uma fatia de queijo. Muito saudável.
Primeira coisa: fazer mãos e pés. Quem se importa se é inverno e você provavelmente vai usar uma bota de cano alto? Mãos e pés tem que estar feitos – e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando ‘Mão tudo bem, mas porque pé, se ela vai de botas?’ Lei de Murphy. Sempre dá merda.
Uma vez pensei assim e o infeliz me levou para um restaurante japonês daqueles em que tem que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloca em alguma outra situação impossível de prever que te obriga a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mão é pé, até porque boa parte dessa raça tem uma tara bizarra por pé feminino.
As mais caprichosas, além de fazer mão e pé, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte, tintura, retoque de raiz, etc. Eu não faço, mas conheço quem faça.
Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar perna, axila, virilha, sobrancelha etc, etc. Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem.
Dia seguinte.
É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).
Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.
Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: ‘Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens’. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.
Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.
Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte… LEITOA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica terrível. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com um pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando ‘EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA’. O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.
Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável.
Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa ‘Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foooda’. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar ‘E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha… Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele… se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo…’. Muito fula da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porcarias mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.
Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um ‘Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar!’. Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar! Porque eu não dei o sapato? Porra… me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista.
Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo ‘será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar…’ Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.
Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.
Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da puta liga e cancela o encontro? ‘Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?’.
Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico p…, p…, PU…da vida!
Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido… nunca ousariam remarcar nada. Se vira! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte a porra do jantar! NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO… MORRER A MÃE OU O PAI TER UM AVC NO TRÂNSITO.
Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata ‘HUMMM… tá cheirosa!’ (tecla sap: ‘Passou muito perfume, porra’). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver. Pois é, minha amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar.
Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso ‘É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero’. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira.
Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:
Roupa…………… ……… ………. ………. ……….. ………. R$ 200,00
Lingerie…. ……… ………. ……….. ……….. ……… ………R$ 80,00
Maquiagem… ……….. ………… ……… ……… ……… ….R$ 50,00
Sapato…… ……….. ………. ……… ……… ………………R$ 150,00
Depilação….. ……… ……… ……… ………. ……………..R$ 50,00
Mão e pé……….. ……….. ……… ……….. ………. …….R$ 15,00
Perfume….. ………. ……….. ……… ……… …………….R$ 80,00
Pílula anticoncepcional. ……… ……… …… …………..R$ 20,00
Ou seja, JOGANDO O VALOR BEM PARA BAIXO, gastamos, no barato, R$ 500 para sair com um Zé Ruela. Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL? A gente gasta muito mais para sair com eles do que ele com a gente!



ps: adoooro esse texto; haha; e não sei quem é o autor

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

adverbial

"A primeira vez que entendi do mundo alguma coisa,foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.
De lá pra cá, fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas, que o amor não acaba assim, que é difícil extirpar o mal pela raiz.
A segunda vez que entendi do mundo alguma coisa,
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas e eu tive que seguir em frente.
De lá pra cá, aprendi a achar no escuro o rumo e sou capaz de decifrar mensagens seja nas nuvens ou no grafite de qualquer muro. "
Affonso Romano de Sant'Anna

 

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