domingo, 3 de outubro de 2010

Resenha

Acabei de ler um livro - E Sim! - escrito por uma prostituta!
E quero logo adiantar e ressaltar que apesar de ter sido escrito por tal, onde a profissão é vista com preconceito, o livro não perde nem de longe pelo quesito - Bem escrito. Muito pelo contrario riquíssimo em literatura. Sem nenhum atrevimento ou exagero a comparação, por se tratar de uma profissão não muito bem-vinda e não de uma conceituada escritora. Muito bem detalhado, todo trabalhado em metáforas e outras figuras de linguagens movidas por toda emoção vivida, por sentimento, e não pela banalidade do sexo ou pelas experiências chulas que teve (o que é de se esperar ou o que mais ganha mais ibope)  tanto que tais palavras mais escrachadas, proveniente do oficio, raramente é menciona dando lugar a eufemismos.
Não sei se por ser interessante ou pela ansiedade de logo saber o desfecho ou grande parte das duas coisas, li as 310 paginas em apenas dois dias. Não que tenha sido diferente dos outros livros que me atrevi a ler. Mas a ansiedade e o envolvimento com os sentimentos e as palavras dela, me eram tão reais que não consegui me desprender até que chegasse o fim.
Fazendo um breve resumo, o livro trata de uma jovem brasileira que nunca fora prostituta antes de ir para Portugal apesar de ter ido com esse intuito, tentada pela proposta de resolver sua vida nos três meses que era estabelecido pelo "contrato". Temendo que passasse pelo desemprego ou ter passar por privações e dificuldades novamente - arriscou-se e foi! Pra um lugar, onde não conhecia praticamente nada e muito menos as pessoas que iria conviver. Passou por muitas e muitas dificuldades e descobertas até se adaptar com a “nova vida” dentre muitas decepções também.
Estou sendo muito (mas muito mesmo) superficial ao fazer o resumo, porque só lendo o livro mesmo pra entender seus motivos que a levaram até ali e as sensações que sentiu na pele - a frustração, o medo, as tristezas, algumas alegrias e surpresas boas e ruins que ela descreve fielmente.
Cheguei ao conhecimento do livro através do seu blog, que por um acaso encontrei sem querer pesquisando uma coisa totalmente diferente - um texto da Martha Medeiros – Me chamou muita a atenção a maneira que escrevia, a sua inteligência e por me identificar bastante com suas opiniões e a forma de encarar as coisas. O que me conquistara tamanha admiração. Alguns retorceram o nariz quando mencionei que havia comprado um livro desse gênero e só faltou dizer (com todas as letras) que eu estava procurando um manual, só porque disse que a admirava. Mas é de se entender, porque na terra da hipocrisia a pergunta que não quer calar é: Como alguém pode dizer que admira uma puta? E admiro mesmo! É pessoa exatamente como qualquer outra, que sofre, sente e luta como qualquer um, independente da função que exerce. E sempre partindo do principio - ninguém pode julgar ninguém - pois ninguém vive na pele do outro, ninguém sabe o que as levaram até ali, ninguém sabe no que vai na alma e no coração da outra pessoa, ninguém sabe das motivações das outras pessoas, e aí é muito fácil sentar a bundinha do outro lado pra julgar e estabelecer o que é certo ou errado, apenas porque o outro tem um defeito que a gente não tem. Ninguém se torna puta porque quer ou por vocação. E muito menos por ser uma “vida fácil”, assim, qualquer um estaria disposto a abrir as pernas pra qualquer um por dinheiro e não teria outra profissão tão disputada, além dessa. Cada um tem a liberdade de fazer o que quiser das suas vidas desde que não interfira na liberdade e na vida do outro. O que a gente mais vê – ou não, é gente por ai fazendo coisas muito piores do “alugar” o próprio corpo, com o intuito de prejudicar o próximo em beneficio próprio. E a gente ainda senta, acha bonito e bate palma. Além de existirem pessoas que não só se prostituem por dinheiro. Mas também por salários, por posições, por estabilidade, por prestígio, etc. E a única diferença é que a prostituta profissional expõe, claramente, o que está dando e aquilo que quer receber em troca, enquanto que, na dita prostituição social, por acaso até parece que é tudo de graça.
Há muita coisa além do que se vê. Portanto, nunca devemos julgar o livro pela capa.

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